terça-feira, 27 de junho de 2017

ponto final

Quem dera o fim fosse como ponto
final, derradeiro e unico
o fim perdura em quem permanece
permanecemos, reverberamos
e veio o inverno, enfim
com lagrimas que aquecem e tudo mais
e trouxe um fim, daqueles
que reavivam memorias ruins
e que perduram talvez por muitos
e muitos invernos...

terça-feira, 20 de junho de 2017

já vem inverno, se foram as cores
não sei dizer se foram as rimas
dores, amores...
estive ausente por muito tempo
ausente de mim por muito tempo
mas no inverno, tardes curtas
noites longas, o tempo...
o tempo parece ir mais devagar
e mesmo agora, fim de outono
as poucas cores amareladas
as noites frias e tardes mornas
passam gostosa e lentamente
as crianças brincam lentamente
os olhos enamorados encontram lentamente
corpos se entrelaçam lentamente
e eu... tomo meu café
amargo... lentamente
já vem o inverno
que leve o outono as cores e as rimas
que leve borboletas, notas musicais
hipocrisias, desamores
pois quanto mais o relogio progride
mais amo meu café e minha companhia

domingo, 12 de março de 2017

A tempestade nunca se alonga
mas era março, desta vez era diferente
O sol fatigante levara as energias
raios e trovões levaram lhe a coragem
não era uma tempestade castanha
não acariciava a pele ou refrescava o calor
lhe surrava o corpo
cada rajada de vento levava as memorias
levava os sonhos bobos
as esperanças vãs
procurou abrigo, mas não podia
enxergar a um palmo do seu nariz
procurou alguém, não se sabe ao certo
se havia... a cada grito de desespero
eram trovões que respondiam

não era uma tempestade qualquer
era março...
tempestade que carrega
que apaga o cigarro
encharca
satura
estagna
surra
cega
entorpece
afasta
cansa
desorienta
desespera

Gosto de tempestades, do cheiro de terra molhada
do caos harmonico, da força e potencia
gosto de tempestades castanhas, no fim da tarde
mas eh março... tudo que resta é o instinto de fugir e não me afogar
ou desistir agora mesmo...