terça-feira, 20 de junho de 2017

já vem inverno, se foram as cores
não sei dizer se foram as rimas
dores, amores...
estive ausente por muito tempo
ausente de mim por muito tempo
mas no inverno, tardes curtas
noites longas, o tempo...
o tempo parece ir mais devagar
e mesmo agora, fim de outono
as poucas cores amareladas
as noites frias e tardes mornas
passam gostosa e lentamente
as crianças brincam lentamente
os olhos enamorados encontram lentamente
corpos se entrelaçam lentamente
e eu... tomo meu café
amargo... lentamente
já vem o inverno
que leve o outono as cores e as rimas
que leve borboletas, notas musicais
hipocrisias, desamores
pois quanto mais o relogio progride
mais amo meu café e minha companhia

domingo, 12 de março de 2017

A tempestade nunca se alonga
mas era março, desta vez era diferente
O sol fatigante levara as energias
raios e trovões levaram lhe a coragem
não era uma tempestade castanha
não acariciava a pele ou refrescava o calor
lhe surrava o corpo
cada rajada de vento levava as memorias
levava os sonhos bobos
as esperanças vãs
procurou abrigo, mas não podia
enxergar a um palmo do seu nariz
procurou alguém, não se sabe ao certo
se havia... a cada grito de desespero
eram trovões que respondiam

não era uma tempestade qualquer
era março...
tempestade que carrega
que apaga o cigarro
encharca
satura
estagna
surra
cega
entorpece
afasta
cansa
desorienta
desespera

Gosto de tempestades, do cheiro de terra molhada
do caos harmonico, da força e potencia
gosto de tempestades castanhas, no fim da tarde
mas eh março... tudo que resta é o instinto de fugir e não me afogar
ou desistir agora mesmo...


terça-feira, 7 de março de 2017

um gole no café amargo, mais um trago no cigarro
as pessoas, as coisas, a vida passa, num compasso
tão descompassado, que sinto ser eu o erro
posso estar assistindo errado, vivendo errado
sentindo errado, amando errado, sendo errado
e faço isso ha tanto tempo que nem sei ao certo
se sei fazer certo...

essa melodia, umida, fria, implacavel
essas cores, esse clima
vivo rodeado de personagens unicos
em cores, melodias, aromas unicos
tem uma, a voz dela... não sei explicar
é musica, fria, umida, implacavel
e seus olhos, digo quase estático, são como...
como um momento exato no por do sol, com nuvens tempestuosas
com aquele laranja acastanhado pela noite
aquela luz morna que conforta

mas é março, em março não ha por do sol
não ha cores, não ha melodia
o aroma de terra molhada lembra
que de agora pra frente
tudo é morte, tudo é cada dia mais cinza
mais frio

um gole do café amargo, palavras amargas
vida amarga, e um trago desse cigarro quase apagado
morte lenta ... como as folhas amarelando dia a dia
como café amargo esfriando gole a gole
a vida amarelando dia a dia
esfriando gole a gole
se apagando trago a trago