sexta-feira, 25 de março de 2016

Sexta Santa

Momento politico conturbado
Um sistema opressor
Um povo fragilizado
Um novo líder
Rei dos pobres
Das putas
Dos doentes
Subvertendo o sistema
Questionando os poderes
Não levantava a negra bandeira
Nem vestia vermelho
Mas foi perseguido
Julgado
Humilhado
Surrado
Morto
Convertido
Embalado
Vendido
Transformado em elemento
De coação
De opressão
E tanto tempo depois
Amar a si, o outro e algo maior
Transformou-se em algo tão...
Sem sentido, tão paradoxo...

Em poucos séculos...

quarta-feira, 23 de março de 2016

Desistir - ou- corrida de resistencia


De olho na tempestade que se aproximava
longe no horizonte, pensou ela mais uma vez
mais de uma vez
qual o peso da desistencia?
e quanto mais corria de encontro
maior a ansia por decidir,
desistir ou não?
eis que o vento, que geralmente
não diz nada alem de nada
soprou lhe no ouvido
quantas vezes, de fato, desistiu?
ao que ela pensou, todas as vezes
e o que fazia então, ela ali?
o fato de ter resistido uma vez mais
persistido uma vez mais
permitido se uma vez mais
exatamente uma vez mais
que as vezes que desistiu

Ha quem seja romantico
e diga que a tempestade desviou se dela
há quem pense que ela seguiu correndo em outra direção
há quem se lembre, que tempestades não são,
de fato, sempre ruins
mas a verdade, é que ela desistiu
e mais uma vez, um momento depois
resistiu e persistiu
e sim, a tempestade veio, avassaladora
e ela chorou como tantas outras vezes
e caiu diversas vezes, sem que alguém visse
resistiu
e quando a tempestade passou
ela desistiu novamente
e se lembrou que não podia
seu coração estava no horizonte
e desistiu de desistir
resistiu
persistiu
insistiu...

Ps. raramente penso sobre desistência, aparentemente raramente desisto (pq sou orgulhoso mesmo), mas foi confrontado com essa palavra ontem, e entendi que resiliência é uma forma de resistência e resistência não é se esquecer de desistir, mas desistir e em seguida desistir de desistir...

quinta-feira, 10 de março de 2016

Agua e sal

Água e sal, se verte de teus olhos
se aninham sobre seus lábios
água e sal
fosse mar, que repousa na praia
fosse biscoito
fosse soro fisiológico
lagrimas...

Olhos castanhos, mergulhados em lagrimas
refletindo a pouca luz
imersa em pensamento como se imersa em
água e sal
não há de que se proteger
nada de pior pode acontecer
não mais...

[...]

Há que se mostrar a alma desnuda
e os corpos desformes
ainda que seja loucura
despir se da armadura
deixar saltar as cicatrizes
ainda que falte coragem de se olhar nos olhos
ainda que isso o faça só... é preciso

Pois esta imagem distorcida é vc
sorte ou azar, isto é vc
alem de todas as exigências do mundo
alem de tudo que esperam que vc seja
muito alem de todo esse universo de
idealizações loucas sobre como
todos devem ser, perfeitos
eis vc, imperfeito

Há de se tomar o veneno amargo
e o café também
e engolir com um sorriso vitorioso
mas por traz da mascara
vazio
solidão
alma desnuda desesperada
por atenção ou outra esmola...

Há de se ferir a alma nua
e se desfazer aos poucos
longe dos olhos que temem
perceber na sua feiura a própria.

terça-feira, 1 de março de 2016

Chuva

Chuva de molhar quintal
Chuva de ler romance
Chuva de comer bolinho
Chuva de embaixo da coberta
Chuva de filminho bobo
Chuva de ficar em casa
Chuva de talvez de tempo
Chuva de talvez não “deu”
Chuva de molhar a rua
Chuva de lavar a alma
Chuva de dançar insanamente
Mesmo que apenas mentalmente
Chuva de beijar a mocinha
Ou o mocinho, sem preconceitos
Chuva de sorrir sozinha
Chuva de amar sozinho
Chuva de esconder o choro
Chuva...
Chuva de não ha mais nada
chuva de não há ninguém
chuva de se estar sozinho
e de ser duro se estar tão só
Chuva de cumprir promessas
Chuva de pagar por erros
Chuva de lembrar quem falta
Chuva de lembrar
chuva de chover em meus olhos
mais que a garoa fria la de fora
uma tempestade quente em meu rosto
Enquanto imagino dançar
contigo na chuva, mesmo sem musica
chuva de ouvir acústico
chuva de ficar quietinho
Chuva...
(Miesterludi - o ultimo)