terça-feira, 7 de março de 2017

um gole no café amargo, mais um trago no cigarro
as pessoas, as coisas, a vida passa, num compasso
tão descompassado, que sinto ser eu o erro
posso estar assistindo errado, vivendo errado
sentindo errado, amando errado, sendo errado
e faço isso ha tanto tempo que nem sei ao certo
se sei fazer certo...

essa melodia, umida, fria, implacavel
essas cores, esse clima
vivo rodeado de personagens unicos
em cores, melodias, aromas unicos
tem uma, a voz dela... não sei explicar
é musica, fria, umida, implacavel
e seus olhos, digo quase estático, são como...
como um momento exato no por do sol, com nuvens tempestuosas
com aquele laranja acastanhado pela noite
aquela luz morna que conforta

mas é março, em março não ha por do sol
não ha cores, não ha melodia
o aroma de terra molhada lembra
que de agora pra frente
tudo é morte, tudo é cada dia mais cinza
mais frio

um gole do café amargo, palavras amargas
vida amarga, e um trago desse cigarro quase apagado
morte lenta ... como as folhas amarelando dia a dia
como café amargo esfriando gole a gole
a vida amarelando dia a dia
esfriando gole a gole
se apagando trago a trago

Um comentário:

NATHALIE ARAUJO disse...

Puta que pariu, eu falo mesmo no popukar, porque amargo mesmo é ser igual a todo mundo... E você meu amigo, te desejo o amargo só se ele virar poesia nas suas mãos, parabéns... Que texto, puta que pariu.