terça-feira, 5 de abril de 2016

Game Over

Naquele momento se deu conta
que a vida é um jogo, tem regras
quem nem sempre são seguidas
e não as seguir é tambem regra
e fazer acreditar em regras
nada mais é que a melhor estratégia
querem que acredite que a morte
tem que ser aceita, a gente se acostuma
querem que acredite que amor
é algo recompensador, reconfortante
e que se tem dificuldades é por valer a pena
e que o trabalho dignifica o homem
e que na discordância há um ponto
de concordância, de meio termo
e que o morno é ideal
e que uma postura positiva
torna tudo positivo
e que os dias são dádivas

É uma pena constatar que sou um péssimo jogador
não aceito a morte, não aceito ser deixado pra trás
não aceito que o mundo simplesmente continue
eu não continuo, não desisto das coisas
não há amor que me reconforte
há dificuldades, sempre, pena perpétua
sem recompensas no final das contas
o trabalho dignifica os bolsos
mas não nasci calças, nasci homem, desnudo
e o único ponto em que concordaremos
é que discordamos veementemente
entre fogo e gelo não há morno
o morno esconde o grito, é mascara
e mascaras não são dádivas
os dias de mascara não são dádivas
e já são demasiados...

há quem diga que pessoas assim são perdedores
fracassados natos...
tem jogos que não faço questão de ganhar
mas na covardia de me render
continuo cumprindo tabela...
que seja...

3 comentários:

Anônimo disse...

"tem jogos que não faço questão de ganhar
mas na covardia de me render
continuo cumprindo tabela"

Tem jogos em que o mais difícil é admitir que perdeu, que se perdeu.

A.

Ana Paula disse...

O dado do jogador é lançado,
Mas não cabe a ele o resultado!

Seja o que tiver de ser, não cabe a nós escolher!

Que seja - definição da acomodação (quando não nos cabe a decisão)

#rimapobre

douglas henrique miesterludi disse...

To tão desacostumado a receber comentários que nem vi estes...

Senhor ou senhora A., é uma boa perspectiva, e de certa forma otimista, pois considerar "perder se" é considerar também a possibilidade de encontrar se, já que um dia esteve aprumado... espero ser o caso do eu lirico ali.

Dona Ana Paula, possuidora de uma das maiores cabeças que se tem conhecimento dentre humanoides "pós modernos", se vai analisar meu poema, analisa ele inteiro! Cabeça de noistudo! Brigado pela visita!