segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

O tempo sempre soou engraçado, sempre no seu próprio ritmo. Há tempos eu postava textos chamados de "livro das mentiras", logo viraram poemas e hj, senti vontade de escrever como livro das mentiras novamente.
Feliz ano novo, mesmo antes de me tornar infeliz essa frase já pouco me fazia sentido. Não acho de bom grado nutrir expectativa no porvir, e por incrível que pareça, esse ano em especial tudo que fiz foi nutrir esperança, e por fim, em meio aos fogos de final de ano, haviam lagrimas... não eram felizes...
Abra o livro das mentiras, precisamos orbitar fora do seu umbigo, apenas por hora...  já parou pra pensar em como as pessoas enganam outras, como as pessoas usam emocionalmente as outras, como as pessoas sugam as outras, como as pessoas abandonam as outras? já se deu conta do quanto isso machuca, do quanto isso destrói?
Feche o livro das mentiras, segue o baile, sigam suas vidas como se nada tivesse acontecido, o novo ano aquece as esperanças, traz novas pessoas para serem sugadas, descartadas apos... algumas delas passarão o proximo fim de ano em lagrimas, longe de tudo e todos, e ng vai se lembrar, a não ser que veja um texto perdido num blog qualquer...
eu definitivamente odeio finais... finais de ano, finais de filme, finais de relacionamento, finais de qualquer tipo...

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Saudade

Minha saudade tem uma paz tão grande
e um sorriso de lua crescente
minha saudade viveu no limite
e me chamava de "cabrí"
Minha saudade tem nome de constelação
ou de bicho fofinho
minha saudade tem olhos de ressaca
tem um por do sol em seus olhos
minha saudade se resume a duas notas
e foi a primeira em tanta coisa
minha saudade tem tantas faces
tantos nomes, e apenas um tempo
pretérito
e depois de tantos preteritos perfeitos
eis que a saudade que me assombra a noite
me tira o sono e o ar
é pretérito imperfeito
poema inacabado
Minha saudade tem o por do sol em seus olhos
e um sorriso enorme de tardes agradáveis
e uma voz suave, e um caos tão grande

domingo, 30 de julho de 2017

Tempo de mudanças

nem me lembro mais desde quando tenho esse blog, acho que desde 2006... nesse tempo já usei o mesmo como diário, como lugar pra divulgar link de download de musica, como meio de divulgar meus poemas. Em 11 anos esse blog me assistiu cair e levantar diversas vezes, passou por todas as modinhas virtuais (orkut, messenger, flog, tumblr, icq). Gosto de olhar posts antigos e perceber pessoas que passaram, pessoas que ficaram, fases da vida etc... tudo que amo ja foi representado em algum momento aqui... Mas é hora de mais uma mudança...
Muitas mudanças grandes ocorreram por aqui, produziram inúmeros sentimentos. Me lembro que quando essas mudanças começaram e geraram tantos sentimentos, me expressei por poemas, e escrevia todos os dias. Quando a morte e o fim de um relacionamento chegaram, tudo ficou pesado demais pra escrever, e tive de decidir entre minha "sanidade" e vida social ou continuar escrevendo, decidi parar de escrever... ainda que sempre tenha dado umas visitadas aqui, parei de divulgar.
Novamente as coisas estão meio que desarrumadas, e eu decidi utilizar esse espaço pra explicar minhas fotos. Sim, eu estou fotografo...
Divulgo bastante coisa no insta e no face, mas nunca parei pra explicar o pq de cada foto, o que senti ou pq foram feitas da forma como foram... mesmo pq as pessoas se interessam muito menos por isso que pelas fotos em si... por isso soa perfeito, o blog sempre teve pouquíssimas visitas, é uma plataforma que gera pouco feedback, mas é bem disponível pra todo mundo.
então, é isso... Estou de volta, com menos poemas e mais fotos, e espero que o Doug do futuro olhe pra tudo isso com o carinho que tenho hoje pelas postagens antigas e mudanças feitas ate então.

sábado, 22 de julho de 2017

Suicidio

Sempre senti que precisava falar sobre suicídio, mas sempre esbarrei em algumas amarras. Quando falamos de suicídio dentro de um contexto no qual as pessoas nunca experimentaram um pensamento suicida ou quando de alguma forma as pessoas tiveram uma relação superficial com suicídio, a reação natural é de não entendimento, é de criar um muro que transpassa a ideia de indiferença, e esse é o ponto mais complicado de todos: O suicídio é a vitoria da indiferença.
Somos seres que vivemos com base em afeto, na mais radical forma de afeto. vivemos de afetar o mundo e as pessoas, e de sermos afetados pelo mundo e pelas pessoas. Quando digo afetar, não falo de amor, falo de qualquer minima influencia emocional, qualquer transferência de emoção, e neste caso, o extremo oposto do afeto é a indiferença.
A indiferença das pessoas é que torna o individuo sozinho, ainda que em meio a uma multidão. Uma multidão indiferente ainda é um vazio. Alguns transtornos e vivencias tornam um individuo ainda mais sensível a esta indiferença, fazendo com que algumas palavras soem ainda mais destruidoras e reforçadoras desta indiferença, e neste ponto, o discurso genérico e vazio de esperança num futuro diferente e melhor, bem como a tentativa de com palavras confortar a solidão do outro são ineficazes. Estamos sempre diante do mundo com uma postura deusística de que nossa forma de ver e sentir o mundo é a ideal, e que todos devem se adequar a isso, e por vezes apontamos duramente os erros de quem esta simplesmente vivendo desesperadamente tentando afetar o mundo e as pessoas, lutando pela vida, e por isso as condenamos simplesmente ao exílio da convivência, a indiferença...
A pior de todas as sensações que tive na minha vida foi justamente perder uma amiga para o suicídio, e quando observo nossa ultima conversa, segundos antes de perder a consciência, a unica coisa que consigo ver é indiferença... aquela indiferença cotidiana, na qual somos imersos por nossas futilidades, aquela na qual nosso umbigo se torna mais importante que tudo, aquela indiferença dela com o mundo e com as pessoas.... A indiferença venceu...
Eu resolvi escrever no blog, justamente pq sei que ng le, e quando raramente alguém le, são pessoas que talvez ja tenham essa vivencia tb, e que sabem que esse espaço é onde vomito tudo que me incomoda.
O afeto, ainda que negativo, ainda vence as batalhas por aqui, não sei se pra sempre, mas ainda vence... e recorrentemente recebo conselhos "maduros" dos amigos pra ser mais indiferente com as coisas, não pesar tanto, não me importar tanto... Espero que isso não aconteça, pois quando acontecer, terei me tornado indiferente a indiferença das pessoas e do mundo, não desejarei afetar mais o mundo e as pessoas, e a indiferença terá novamente vencido.
O suicidio é a vitoria da indiferença.

#RIPChester

terça-feira, 27 de junho de 2017

ponto final

Quem dera o fim fosse como ponto
final, derradeiro e unico
o fim perdura em quem permanece
permanecemos, reverberamos
e veio o inverno, enfim
com lagrimas que aquecem e tudo mais
e trouxe um fim, daqueles
que reavivam memorias ruins
e que perduram talvez por muitos
e muitos invernos...

terça-feira, 20 de junho de 2017

já vem inverno, se foram as cores
não sei dizer se foram as rimas
dores, amores...
estive ausente por muito tempo
ausente de mim por muito tempo
mas no inverno, tardes curtas
noites longas, o tempo...
o tempo parece ir mais devagar
e mesmo agora, fim de outono
as poucas cores amareladas
as noites frias e tardes mornas
passam gostosa e lentamente
as crianças brincam lentamente
os olhos enamorados encontram lentamente
corpos se entrelaçam lentamente
e eu... tomo meu café
amargo... lentamente
já vem o inverno
que leve o outono as cores e as rimas
que leve borboletas, notas musicais
hipocrisias, desamores
pois quanto mais o relogio progride
mais amo meu café e minha companhia

domingo, 12 de março de 2017

A tempestade nunca se alonga
mas era março, desta vez era diferente
O sol fatigante levara as energias
raios e trovões levaram lhe a coragem
não era uma tempestade castanha
não acariciava a pele ou refrescava o calor
lhe surrava o corpo
cada rajada de vento levava as memorias
levava os sonhos bobos
as esperanças vãs
procurou abrigo, mas não podia
enxergar a um palmo do seu nariz
procurou alguém, não se sabe ao certo
se havia... a cada grito de desespero
eram trovões que respondiam

não era uma tempestade qualquer
era março...
tempestade que carrega
que apaga o cigarro
encharca
satura
estagna
surra
cega
entorpece
afasta
cansa
desorienta
desespera

Gosto de tempestades, do cheiro de terra molhada
do caos harmonico, da força e potencia
gosto de tempestades castanhas, no fim da tarde
mas eh março... tudo que resta é o instinto de fugir e não me afogar
ou desistir agora mesmo...


terça-feira, 7 de março de 2017

um gole no café amargo, mais um trago no cigarro
as pessoas, as coisas, a vida passa, num compasso
tão descompassado, que sinto ser eu o erro
posso estar assistindo errado, vivendo errado
sentindo errado, amando errado, sendo errado
e faço isso ha tanto tempo que nem sei ao certo
se sei fazer certo...

essa melodia, umida, fria, implacavel
essas cores, esse clima
vivo rodeado de personagens unicos
em cores, melodias, aromas unicos
tem uma, a voz dela... não sei explicar
é musica, fria, umida, implacavel
e seus olhos, digo quase estático, são como...
como um momento exato no por do sol, com nuvens tempestuosas
com aquele laranja acastanhado pela noite
aquela luz morna que conforta

mas é março, em março não ha por do sol
não ha cores, não ha melodia
o aroma de terra molhada lembra
que de agora pra frente
tudo é morte, tudo é cada dia mais cinza
mais frio

um gole do café amargo, palavras amargas
vida amarga, e um trago desse cigarro quase apagado
morte lenta ... como as folhas amarelando dia a dia
como café amargo esfriando gole a gole
a vida amarelando dia a dia
esfriando gole a gole
se apagando trago a trago

sábado, 21 de janeiro de 2017

não era o que dizia ser, era na verdade
o que diziam ser ideal ser, sem querer
e por ser ideal, deixou de ser real
e por deixar de ser real, deixou de ser


domingo, 1 de janeiro de 2017

Le MMXVI Est Mort...

Superei o medo de temer simplesmente
superei a zona de conforto
superei os lutos auto impostos
superei a culpa, a insegurança
eu superei quem pensou que nunca superaria
quem eu msm pensei que nunca superaria
me superei

construí o que havia de ser construído
desconstruiu o que havia de ser tb
bem como destruí, reescrevi, resignifiquei
me superei

não vou mentir, eu cai, muitas vezes
em muitos chãos
cai na lama, no asfalto, areia, pregos
cai de cara, me machuquei, machuquei
não só a mim, e chorei
com filme, livro, lembranças, recaídas
vivencias... novos dramas
me superei

superei amizades toxicas
superei pseudo amizades
superei atrasos
superei percalços
mas acima de tudo, superei vc
e mais que isso, superei a mim
sou a melhor versão de mim
não por vc
por mim


ps... poema de retrospectiva, inclui minhas superações e superações de outras pessoas que amo, então, se perceber vc no poema, sinta se amado (a)
ps2: Sou grato pela meia duzia de pessoas que frequentam o blog, é provavel que eu me afaste por um tempo daqui, mas volto em breve.
ps3: feliz 2017, recebi exatamente as 0h aquele feliz ano novo mais esperado, da pessoa mais esperada, e percebi o quanto as pessoas a minha volta são importantes e incriveis... ^^
ps4: até breve pessoas.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

tipo indireta

E naquele momento, como rochas imoveis diante do mar
que golpeia impiedosamente, permaneci ali
O brilho dos olhos jamais foram faróis, eram apenas lagrimas
e os sorrisos, quem poderia prever, não eram sinais

Em nenhum momento o mundo parou
em nenhum momento vi placas de retorno
mas me lembro hoje, com mais clareza
do dia que lhe dei um sorriso, que do dia que se apagou

e do brilho no olhar, e de ter todo futuro a frente
do brilho que iluminou minha existência
mas faróis queimam tb, falha humana
eu só queria escrever um poema...

ps. Sei que vc lê msm quando não divulgo, queria que soubesse que lembro que dia é hoje, e que me sinto muito feliz por ter essa memoria pra lembrar, e por sua passagem na minha existencia... não deixaria passar em branco...

sábado, 17 de dezembro de 2016

Torradeira


Ganhou um dia uma torradeira
Daquelas clichês, de filme americano
Não estava nos seus planos, mas
Fez dela sua companheira

Ela aquecia suas manhãs cinzentas
O ajudava a iniciar a rotina, e o café
Acompanhava em seus momentos
Até que em certo momento

Já não havia manhãs tardes vazias
A torradeira entrou na rotina
Nem importava mais o gasto de energia
Até aquele fatídico dia

A torradeira não funcionou, e mais
Nunca mais funcionaria,
Quanto mais ele a ligava
Mais ela estragava
Mais gastava energia

Não queria torradeira nova
Abriria mão pra sempre de torradas
Se lembraria triste todas as manhãs

que amor as vezes não passa
de uma torradeira quebrada.

domingo, 11 de dezembro de 2016

10 passos pra estragar um domingo

insonia
pensar em tudo
acordar com barulho
café morno
sem bom dia
pensar em tudo
acionar a trilha depre
esquecer de comprar cigarros
amor...
pensar em tudo

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

o mar e o tempo


Antes era o mar de angustia, e a corrente ensandecida
As ondas que de lado a lado, na imensidão do horizonte
Sem trégua desestabilizava o barco, e de desejar a fuga
Não se sabe ao certo em quanto tempo, pouco, naufragou
Enquanto isso a tempestade, rainha das mudanças severas
Sopra ao longe o que foi sonho, agora quimera
Colossal Quimera que devora cada instante de existência
Mas é na tempestade que voa livre, pássaro negro
Resiliência e força em forma graciosa, triste
Dança a rebeldia louca de escolher permanecer
Seja na tempestade, seja na ressaca do mar
Ponto indesejável e único de realidade

E quando enfim brilhar o sol, se é que brilha
Não sabe ao certo se ao cortar a tempestade
O arco da aliança faz se desejável
Pois a tudo se habitua, ao mar, a tempestade
Até que se perde o farol, o pássaro, a sanidade
E se deseja naturalmente o inferno, a angustia

Mas o sol virá, não pra inexistir a tempestade
Mas pra reaquecer o corpo tremulo
Para confortar o coração que chora

Todas as noites a tempestade que deseja.

domingo, 20 de novembro de 2016

rascunhos

meu maior medo não é faltarem palavras
nem faltar inspiração, sei que ela vai e vem
não temo perder tudo, não tenho nada, sou nada
não temo que falte paz, que falte água, que falte luz
nem que falte vontade, desejo, nem que falte o ar
mas que não falte percepção....
pq ainda que não haja amor
ainda que não haja nada
perceber em tempo
poupa palavras, que não faltem
economiza tempo pra um cafe

sábado, 12 de novembro de 2016

Talvez


talvez um dia eu use minhas asas,
 talvez um dia tomo lhe nos braços
 e te mostro o quão lindo é o meu mundo,
 talvez um dia meus pensamentos não precisem
percorrer distancia tão grande pra lhe encontrar,
talvez uma hora dessas a gente passe horas conversando,
 e um sorriso, um olhar, um frio na barriga deixem de ser subjulgados
e sejam motivo suficiente pra uma loucura qualquer...
 talvez um dia eu perceba que não és  um sonho bom
mas sim uma realidade ainda melhor...
 talvez um dia eu deixe de sonhar sonhos tão simples e os viva realmente...
 alias, mania feia que temos de julgar tudo tão racionalmente,
assim perdemos a chance de viver o que foge do habitual...
 rotina...
 talvez um dia um palhaço lhe sorria e diga,
 sempre estive aqui,
 e de tantos sorrisos apenas um me faz sorrir de bobo,
 apenas um me faz sorrir os olhos...
talvez um dia não precisemos mais sermos dois,
mas não espero um dia pra ser feliz..
esperar por vezes me faz feliz...
talvez um dia eu diga, talvez
talvez tudo continue exatamente como está
não por culpa minha ou tua
o problema é o talvez, talvez

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Finem Luctus


Como espectro que não assombra
Mas permanece a espreita, silencioso
Nunca mais visto, eternamente sentido
Dando sentido a tudo, permanece

Que não haja corpo, que não haja carne
Que não haja voz, que não haja sorriso
Palavras, olhares, problemas, dor
Tiraram tudo de ti, tirou se tudo de si

“O que nos tornamos quando já não há nada? ”
O que acontece quando a morte chega
E nenhum poema idiota consegue explicar
O quanto dói, o quanto sufoca esse impasse?

Como tudo deve ser quando o luto precisa acabar,
Quando a vida me cobra de ser vivida, não apenas
Lamentando ou sofrendo dores de antes, mas
Com toda força de novos dramas?

E o que acontece quando esperança causa medo
Felicidade causa culpa, muito mais que antes de tudo
Quando tudo que existe de bom, de belo nesse mundo
É indissociável de uma memória tão... trágica?

Como entender que absolutamente ninguém
Vai entender a dor de acordar revivendo
Aquela manhã fatídica, todos os dias
Nem por vc, nem por querer, é inevitável?

E essa dor imensa me cobre de tal forma
Que não posso me ver, ninguém pode
E isso me lembra uma verdade dura
Fiz tantas promessas, são tantos segredos
Que inevitavelmente terei de cumprir

E para isso, contrariar o desejo tão intenso
De fazer o que for, só pela mínima chance de
Reencontrar vc, te abraçar forte
Te dizer que não ta tudo bem, mas ficará

E ficará, nunca mais serei feliz por completo
Visto que nem sou mais completo
Mas preciso fazer por vc o que não fez
Encarar tudo, dedo médio em riste

E cuidar do que precisa ser cuidado
Chorar o que tiver de ser chorado
Fazer o que tiver de ser feito
Viver o que tiver de ser vivido

Pq um ano não rendeu história suficiente
Para te contar por toda eternidade
Mas garanto que o caos que sou
Dará conta disso numa vida inteira

Pq sim, não abro mão de incluir vc nos meus momentos
Não abro mão de viver todos os momentos que virão
Não abro mão, por nós, por tudo, pelo que representa
Não abro mão de conversar em silencio e fingir que vc escuta
Não abro mão de chamar sua atenção pela idiotice
De nos privar e se privar de tudo, mas respeito e entendo
Não abro mão de te amar tão intensamente
Nem de sentir raiva de mim e de vc por não evitar
Talvez não o ato, mas esse dramalhão todo
Enfim, não faço ideia de como é tudo depois de se mudar
Nem se pode me ler ou sentir, nem quero realmente saber
Só quero que saiba que está tudo bem, o mundo continua bem bosta
As pessoas tb, e sim, faço o possível pra ser menos patético
E que esse é o ponto no qual planejei acabar com isso tudo
E entre as opções, escolhi ser o melhor e mais forte possível
E, paradoxalmente, me espelhar em sua coragem
E ficar, ser aquele que vc amou e respeitou até o último minuto

Ps. Se em algum momento vc me le, ou me ouve, obrigado por não responder, sabe que tenho medo dessa porra toda de fantasma... mas se um dia decidir responder, faz com jeitinho, ok?

E não esquece, te amo amiga, pra sempre, e não abro mão de te encontrar, seja quando e onde for!

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Cegueira


I

Eu não vi as pedras do caminho, e não as retirei
Fui descalço, pensei ser a simplicidade algo bom
Acreditei ser um dom não saber ao certo o que sou
Ser o caos, e de fato, enquanto os pés não tocam o chão
As pedras não abrem as feridas, esqueci as feridas
E por não ver as pedras, fui tomado pela ânsia
De seguir a pé, sozinho, descalço, sangrar
Se meu peito sangra que diferença teria sangrar os pés?
Eu não vi os amores, não vi os momentos, não até ser tarde
Tarde demais para ser parte da historia, e criei memorias
Uma linha histórica infestada de rupturas, todas elas
Minha culpa
Não vi as frases nos muros indicando a direção
Não vi os ventos mudando de direção
Não vi a vida se esvaindo, poeira escapando de minhas mãos
Por entre os dedos, não tive tato, tampouco coragem
Não vi as cartas se acumularem, não vi a frustração se aproximar
O tempo, não vi o tempo passar
Mas chega um momento em que não há pedras
Não há muros, não há nada, nada além de um corpo cansado
De feridas abertas, de culpas, magoas, e aquela intensidade
Que outrora me oferecia os céus, me jogam de face ao chão de pedras

II

Supunha se a dor antes de a dor doer de fato
Mas não fora o prever a dor, mas a angustia da nova dor
Que o levara dos céus ao inferno, sem escalas
Não fora a morte, companheira fiel, mas a vida
A primavera, os campos floridos, a esperança
O amor, os protagonistas, risonhos, da dor
Que se sobrepôs a dor presumida
Tornou se dor de fato diluída
No veneno doce da vida

III

Não vi as flores, mas senti seus espinhos
Perfurarem a carne impura, culpa
A desesperança encontra abrigo
Na realidade dos fatos
De fato, inatingível és
De fato, improvável sou
De fato, incrível es
De fato, nada sou
Nada além de invisível
Intragável, impossível
Inadequado
E não vi nada, nada além

De ser nada...

sábado, 15 de outubro de 2016

Piggy's day


São muitas as tempestades, cada qual tem a sua
mas quando a minha e a sua se encontraram
nos fizemos fortes, e eu o cara das palavras
não tenho uma hoje pra descrever o quanto
vc fez e faz por mim, mas tentarei

voce tem cara de leitão desmamado
que não toma agua nunca, e reclama demais
voce fala igual uma matraca desregulada
e foge de carinho como capiroto foge da cruz

com tudo isso, dificilmente seriamos amigos
mas tem algo com relação a vc, que só sentimos
quando o universo nos aproxima de quem realmente vale a pena
tem algo em vc, que te torna uma das poucas amigas que tenho

Voce me faz me sentir em casa
me faz sentir que o mundo não está perdido
me faz sentir que minha mãe não é mãe de todos meus irmãos
tem algumas soltas por aí

Resumindo, apesar de ser uma suinea bebedora de café mimizenta
vc é minha amiga, minha irmã, minha heroina
minha cumplice numas paradinhas aew
e muito alem de parabens, obrigado por existir.

Feliz dia dos Pigs desmamados!!!

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Vergonha + Errados

Refugiados de guerra
intolerância religiosa
étnica, Deus virou as costas
vergonha
A vitória do capital
a vitoria global
do acumulo de riquezas em detrimento
da falência humana, pobreza
vergonha
vazio de poder
banalização do mal
e da violência, ta no jornal
sangue em suas mãos
vergonha
e o caos do mundo
e o caos em mim
seus olhos estáticos
tristes, frios
boca cerrada
casa vazia
o amor reduzido
a papeis rasgados
nunca antes desejei tanto
o fim, de tudo, de mim
a covardia inda me salva
vergonha...

Existe quem é frio e se diz intenso 
e quem de ser intenso se diz frio, 
ambos estão errados.
 Existem pessoas que amam e não dizem, 
e as que dizem amar sem amar realmente... 
ambas estão estupidamente erradas...
 Existem aqueles que tem muitos sonhos
 e não costumam fazer muito pra realizar nenhum
 e outras que se perdem tanto em projetos que mal sonham... 
ambas estão erradas... 
Tem as que escolhem rápido demais,
 as que nunca escolhem,
 as que preferem não lutar, 
as que lutam até quando não se faz necessário... 
existem pessoas que amam tanto 
que desistem do amor na tentativa de fazer o outro feliz,
 e outras que sequer se deixam viver tal amor... 
e ambos ESTAMOS errados...