quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

tipo indireta

E naquele momento, como rochas imoveis diante do mar
que golpeia impiedosamente, permaneci ali
O brilho dos olhos jamais foram faróis, eram apenas lagrimas
e os sorrisos, quem poderia prever, não eram sinais

Em nenhum momento o mundo parou
em nenhum momento vi placas de retorno
mas me lembro hoje, com mais clareza
do dia que lhe dei um sorriso, que do dia que se apagou

e do brilho no olhar, e de ter todo futuro a frente
do brilho que iluminou minha existência
mas faróis queimam tb, falha humana
eu só queria escrever um poema...

ps. Sei que vc lê msm quando não divulgo, queria que soubesse que lembro que dia é hoje, e que me sinto muito feliz por ter essa memoria pra lembrar, e por sua passagem na minha existencia... não deixaria passar em branco...

sábado, 17 de dezembro de 2016

Torradeira


Ganhou um dia uma torradeira
Daquelas clichês, de filme americano
Não estava nos seus planos, mas
Fez dela sua companheira

Ela aquecia suas manhãs cinzentas
O ajudava a iniciar a rotina, e o café
Acompanhava em seus momentos
Até que em certo momento

Já não havia manhãs tardes vazias
A torradeira entrou na rotina
Nem importava mais o gasto de energia
Até aquele fatídico dia

A torradeira não funcionou, e mais
Nunca mais funcionaria,
Quanto mais ele a ligava
Mais ela estragava
Mais gastava energia

Não queria torradeira nova
Abriria mão pra sempre de torradas
Se lembraria triste todas as manhãs

que amor as vezes não passa
de uma torradeira quebrada.

domingo, 11 de dezembro de 2016

10 passos pra estragar um domingo

insonia
pensar em tudo
acordar com barulho
café morno
sem bom dia
pensar em tudo
acionar a trilha depre
esquecer de comprar cigarros
amor...
pensar em tudo

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

o mar e o tempo


Antes era o mar de angustia, e a corrente ensandecida
As ondas que de lado a lado, na imensidão do horizonte
Sem trégua desestabilizava o barco, e de desejar a fuga
Não se sabe ao certo em quanto tempo, pouco, naufragou
Enquanto isso a tempestade, rainha das mudanças severas
Sopra ao longe o que foi sonho, agora quimera
Colossal Quimera que devora cada instante de existência
Mas é na tempestade que voa livre, pássaro negro
Resiliência e força em forma graciosa, triste
Dança a rebeldia louca de escolher permanecer
Seja na tempestade, seja na ressaca do mar
Ponto indesejável e único de realidade

E quando enfim brilhar o sol, se é que brilha
Não sabe ao certo se ao cortar a tempestade
O arco da aliança faz se desejável
Pois a tudo se habitua, ao mar, a tempestade
Até que se perde o farol, o pássaro, a sanidade
E se deseja naturalmente o inferno, a angustia

Mas o sol virá, não pra inexistir a tempestade
Mas pra reaquecer o corpo tremulo
Para confortar o coração que chora

Todas as noites a tempestade que deseja.

domingo, 20 de novembro de 2016

rascunhos

meu maior medo não é faltarem palavras
nem faltar inspiração, sei que ela vai e vem
não temo perder tudo, não tenho nada, sou nada
não temo que falte paz, que falte água, que falte luz
nem que falte vontade, desejo, nem que falte o ar
mas que não falte percepção....
pq ainda que não haja amor
ainda que não haja nada
perceber em tempo
poupa palavras, que não faltem
economiza tempo pra um cafe

sábado, 12 de novembro de 2016

Talvez


talvez um dia eu use minhas asas,
 talvez um dia tomo lhe nos braços
 e te mostro o quão lindo é o meu mundo,
 talvez um dia meus pensamentos não precisem
percorrer distancia tão grande pra lhe encontrar,
talvez uma hora dessas a gente passe horas conversando,
 e um sorriso, um olhar, um frio na barriga deixem de ser subjulgados
e sejam motivo suficiente pra uma loucura qualquer...
 talvez um dia eu perceba que não és  um sonho bom
mas sim uma realidade ainda melhor...
 talvez um dia eu deixe de sonhar sonhos tão simples e os viva realmente...
 alias, mania feia que temos de julgar tudo tão racionalmente,
assim perdemos a chance de viver o que foge do habitual...
 rotina...
 talvez um dia um palhaço lhe sorria e diga,
 sempre estive aqui,
 e de tantos sorrisos apenas um me faz sorrir de bobo,
 apenas um me faz sorrir os olhos...
talvez um dia não precisemos mais sermos dois,
mas não espero um dia pra ser feliz..
esperar por vezes me faz feliz...
talvez um dia eu diga, talvez
talvez tudo continue exatamente como está
não por culpa minha ou tua
o problema é o talvez, talvez

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Finem Luctus


Como espectro que não assombra
Mas permanece a espreita, silencioso
Nunca mais visto, eternamente sentido
Dando sentido a tudo, permanece

Que não haja corpo, que não haja carne
Que não haja voz, que não haja sorriso
Palavras, olhares, problemas, dor
Tiraram tudo de ti, tirou se tudo de si

“O que nos tornamos quando já não há nada? ”
O que acontece quando a morte chega
E nenhum poema idiota consegue explicar
O quanto dói, o quanto sufoca esse impasse?

Como tudo deve ser quando o luto precisa acabar,
Quando a vida me cobra de ser vivida, não apenas
Lamentando ou sofrendo dores de antes, mas
Com toda força de novos dramas?

E o que acontece quando esperança causa medo
Felicidade causa culpa, muito mais que antes de tudo
Quando tudo que existe de bom, de belo nesse mundo
É indissociável de uma memória tão... trágica?

Como entender que absolutamente ninguém
Vai entender a dor de acordar revivendo
Aquela manhã fatídica, todos os dias
Nem por vc, nem por querer, é inevitável?

E essa dor imensa me cobre de tal forma
Que não posso me ver, ninguém pode
E isso me lembra uma verdade dura
Fiz tantas promessas, são tantos segredos
Que inevitavelmente terei de cumprir

E para isso, contrariar o desejo tão intenso
De fazer o que for, só pela mínima chance de
Reencontrar vc, te abraçar forte
Te dizer que não ta tudo bem, mas ficará

E ficará, nunca mais serei feliz por completo
Visto que nem sou mais completo
Mas preciso fazer por vc o que não fez
Encarar tudo, dedo médio em riste

E cuidar do que precisa ser cuidado
Chorar o que tiver de ser chorado
Fazer o que tiver de ser feito
Viver o que tiver de ser vivido

Pq um ano não rendeu história suficiente
Para te contar por toda eternidade
Mas garanto que o caos que sou
Dará conta disso numa vida inteira

Pq sim, não abro mão de incluir vc nos meus momentos
Não abro mão de viver todos os momentos que virão
Não abro mão, por nós, por tudo, pelo que representa
Não abro mão de conversar em silencio e fingir que vc escuta
Não abro mão de chamar sua atenção pela idiotice
De nos privar e se privar de tudo, mas respeito e entendo
Não abro mão de te amar tão intensamente
Nem de sentir raiva de mim e de vc por não evitar
Talvez não o ato, mas esse dramalhão todo
Enfim, não faço ideia de como é tudo depois de se mudar
Nem se pode me ler ou sentir, nem quero realmente saber
Só quero que saiba que está tudo bem, o mundo continua bem bosta
As pessoas tb, e sim, faço o possível pra ser menos patético
E que esse é o ponto no qual planejei acabar com isso tudo
E entre as opções, escolhi ser o melhor e mais forte possível
E, paradoxalmente, me espelhar em sua coragem
E ficar, ser aquele que vc amou e respeitou até o último minuto

Ps. Se em algum momento vc me le, ou me ouve, obrigado por não responder, sabe que tenho medo dessa porra toda de fantasma... mas se um dia decidir responder, faz com jeitinho, ok?

E não esquece, te amo amiga, pra sempre, e não abro mão de te encontrar, seja quando e onde for!

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Cegueira


I

Eu não vi as pedras do caminho, e não as retirei
Fui descalço, pensei ser a simplicidade algo bom
Acreditei ser um dom não saber ao certo o que sou
Ser o caos, e de fato, enquanto os pés não tocam o chão
As pedras não abrem as feridas, esqueci as feridas
E por não ver as pedras, fui tomado pela ânsia
De seguir a pé, sozinho, descalço, sangrar
Se meu peito sangra que diferença teria sangrar os pés?
Eu não vi os amores, não vi os momentos, não até ser tarde
Tarde demais para ser parte da historia, e criei memorias
Uma linha histórica infestada de rupturas, todas elas
Minha culpa
Não vi as frases nos muros indicando a direção
Não vi os ventos mudando de direção
Não vi a vida se esvaindo, poeira escapando de minhas mãos
Por entre os dedos, não tive tato, tampouco coragem
Não vi as cartas se acumularem, não vi a frustração se aproximar
O tempo, não vi o tempo passar
Mas chega um momento em que não há pedras
Não há muros, não há nada, nada além de um corpo cansado
De feridas abertas, de culpas, magoas, e aquela intensidade
Que outrora me oferecia os céus, me jogam de face ao chão de pedras

II

Supunha se a dor antes de a dor doer de fato
Mas não fora o prever a dor, mas a angustia da nova dor
Que o levara dos céus ao inferno, sem escalas
Não fora a morte, companheira fiel, mas a vida
A primavera, os campos floridos, a esperança
O amor, os protagonistas, risonhos, da dor
Que se sobrepôs a dor presumida
Tornou se dor de fato diluída
No veneno doce da vida

III

Não vi as flores, mas senti seus espinhos
Perfurarem a carne impura, culpa
A desesperança encontra abrigo
Na realidade dos fatos
De fato, inatingível és
De fato, improvável sou
De fato, incrível es
De fato, nada sou
Nada além de invisível
Intragável, impossível
Inadequado
E não vi nada, nada além

De ser nada...

sábado, 15 de outubro de 2016

Piggy's day


São muitas as tempestades, cada qual tem a sua
mas quando a minha e a sua se encontraram
nos fizemos fortes, e eu o cara das palavras
não tenho uma hoje pra descrever o quanto
vc fez e faz por mim, mas tentarei

voce tem cara de leitão desmamado
que não toma agua nunca, e reclama demais
voce fala igual uma matraca desregulada
e foge de carinho como capiroto foge da cruz

com tudo isso, dificilmente seriamos amigos
mas tem algo com relação a vc, que só sentimos
quando o universo nos aproxima de quem realmente vale a pena
tem algo em vc, que te torna uma das poucas amigas que tenho

Voce me faz me sentir em casa
me faz sentir que o mundo não está perdido
me faz sentir que minha mãe não é mãe de todos meus irmãos
tem algumas soltas por aí

Resumindo, apesar de ser uma suinea bebedora de café mimizenta
vc é minha amiga, minha irmã, minha heroina
minha cumplice numas paradinhas aew
e muito alem de parabens, obrigado por existir.

Feliz dia dos Pigs desmamados!!!

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Vergonha + Errados

Refugiados de guerra
intolerância religiosa
étnica, Deus virou as costas
vergonha
A vitória do capital
a vitoria global
do acumulo de riquezas em detrimento
da falência humana, pobreza
vergonha
vazio de poder
banalização do mal
e da violência, ta no jornal
sangue em suas mãos
vergonha
e o caos do mundo
e o caos em mim
seus olhos estáticos
tristes, frios
boca cerrada
casa vazia
o amor reduzido
a papeis rasgados
nunca antes desejei tanto
o fim, de tudo, de mim
a covardia inda me salva
vergonha...

Existe quem é frio e se diz intenso 
e quem de ser intenso se diz frio, 
ambos estão errados.
 Existem pessoas que amam e não dizem, 
e as que dizem amar sem amar realmente... 
ambas estão estupidamente erradas...
 Existem aqueles que tem muitos sonhos
 e não costumam fazer muito pra realizar nenhum
 e outras que se perdem tanto em projetos que mal sonham... 
ambas estão erradas... 
Tem as que escolhem rápido demais,
 as que nunca escolhem,
 as que preferem não lutar, 
as que lutam até quando não se faz necessário... 
existem pessoas que amam tanto 
que desistem do amor na tentativa de fazer o outro feliz,
 e outras que sequer se deixam viver tal amor... 
e ambos ESTAMOS errados...

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Sou


Se foram os pássaros e o coro ululante das manhãs
O cheiro do café, o calor no peito, o sorriso fácil
Se foram as borboletas do estomago, se foram todas
E as vontades, desejos, esperanças, sonhos

Tudo que não era certamente meu, se foi
E quem dera nada houvesse restado
Restei, com tudo aquilo que sou
E tudo mais que não posso evitar

E se pudesse, trato como hipótese, evitaria?
Que seria eu então? O que realmente difere
O ser que sou do ser que fui, e ainda, do ser que,
Quando sonho, gostaria de ser?

Não sou pássaros, nem cheiro de café, nem calor no peito
Nem sorriso, nem amor, nem vontades, desejos, esperanças
Tampouco existo alheio a estes e outros produtos dos meus sonhos

Somos o que somos... ninguém precisa fingir-se feliz por isto.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Primavera



O vento forte que carrega as ilusões

rompe os galhos, varre a terra

Acorda cinza, queima em sol ao meio dia

chora tempestade a tarde e dorme em brisa

Rainha do caos, da instabilidade

da indecisão, do drama, do mimimi

a mais pura expressão de amor

produz flores, e espinhos

Essência do paradoxo...




Primavera é igual aquele amiga agitadinha

que mora longe, passa um ano sem dar as caras,

mas quando chega vem chutando a porta,

abrindo a geladeira, mudando de canal na tv,

fazendo tempestade, abrindo todas as flores,

botando os bichos pra acasalar




Primavera é tipo aquele amor que

é caos, é anormal, é intenso

mas foge tanto ao clichê

que sofre mais que deveria

não é fruto outonal de esperança

é tudo certo que não se realiza

é tudo espera mas quem sabe?

é não saber nem mesmo o que dizer

fazer, pensar, sentir... e ter tudo ao mesmo tempo




Bem vinda primavera, faça seu papel

te amo e te aceito, seja como for

só não me peça pra estar

bem, mal, feliz ou triste

só deixa estar...

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Setembro


O Negro véu oculta o riso
Não o impede, mascara
Veste de amarelo a rosa
Que nasceu pra ser vermelha

Intriga desde a Grécia que
A rosa, fez se branca até que o mal
Violentamente atinge Adônis
E torna a rosa vermelha

Tragédia rima em essência
Com a flecha que não sangra
O coração mas o enlaça
Triste fim, triste enfim

A finitude, a morte desmascara a eternidade
Que prontifica a engolir o tempo
E todo sentido de existir sem esta
Rosa atemporal de setembro.

sábado, 3 de setembro de 2016

Escolhas

Em um mundo de escolhas,
 tudo que foge ao nosso controle soa surreal.
 Por vezes esquecemos que o rio corre
 sem escolher sua nascente,
 seus desvios
 e sempre terá como fim desaguar no mar
querendo ou não
 O certo é o paradoxo de sorrir o nascimento
 e chorar a fadada libertação do corpo,
 ainda que seja a unica forma
 de finalmente deixarmos esse mundo estranho
 e voltar a fazer parte do todo,
 de onde também nunca escolhemos sair...

Escolhas

Em um mundo de escolhas,
 tudo que foge ao nosso controle soa surreal.
 Por vezes esquecemos que o rio corre
 sem escolher sua nascente,
 seus desvios
 e sempre terá como fim desaguar no mar
querendo ou não
 O certo é o paradoxo de sorrir o nascimento
 e chorar a fadada libertação do corpo,
 ainda que seja a unica forma
 de finalmente deixarmos esse mundo estranho
 e voltar a fazer parte do todo,
 de onde também nunca escolhemos sair...

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Que seja pt.2




"Que seja livre pois do contrário

perde se a essência,

mas que eu seja então teu porto seguro,

ainda que inseguro e não a sua prisão,

teu campo vasto e não o cabresto.

Que seja então em breve, ou não,

mas que não seja uma entre outras opções

e sim querer,

e que não seja ruptura e sim renascer,

que não te imponha um novo horizonte,

mas que seja um novo elemento em teu horizonte,

nem tão perto, nem tão distante...

que não seja eterno para que não haja prazo ( por mais longo que seja).

Que não seja medo, nem coragem,

nem dor nem ecstasy

, nem bossa nem rock,

mas que seja tudo isso,

ou horas tudo,

outras quase nada.
que enfim não importe o que seja,

quando seja, como seja, que apenas seja,

e que no fim seja você, e eu ainda os mesmos,

e se nada for enfim que seja,

e se a duvida persiste, não tema, SEJA!"


Em meio aos livros todos, a pequena J. escolheu o ultimo, entre tantos poemas, escolheu este, e pensou, se fosse esse o ultimo de sua existência, "que seja". Isso instantes antes da hipócrita carta de suicídio, disfarçada de seja la o que for... tomou o veneno amargo, e assinou o bilhete que dizia:


" Eu gosto quando em meio a tempestade vc vem como porto seguro, gosto quando meu mar de angustia está de ressaca e vc traz calma... mas gosto quando o mormaço fica insuportável e vc vem como tempestade, gosto quando em meio ao conforto todo seu caos ativa meu caos

gosto que vc não seja nem sempre calmaria, nem sempre caos... nem sempre sorriso meigo, nem sempre olhos que seduzem... nem sempre amorzinho, nem sempre um corpo que desejo...

gosto que seja vc, e vc eh boa nisso, só seja...continuarei sendo essencialmente eu e vc, vc... e enquanto nossas existências se satisfazerem por estarem próximas, assim será ... "


Dormiu para não mais ser quem era novamente...
                

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Nem sol, Nem chuva...

Naquela manhã nem o sol, nem a chuva
decidiram valer a pena suas presenças
aquela manhã cinzenta não era sintoma
de um mundo todo cinza, mas tão somente
de uma existência que, em meio a tantas
de tão só sentiu falta, seja do sol, seja da chuva
Mas o noticiário continuava redundante
ululando teorias de conspiração
mas quem, enfim, repara falta de sol e chuva
certamente não se ilude com bons discursos
palavras, apenas palavras
e se fossemos todos apenas palavras
sem corpos, sem sentidos, apenas palavras?
seriamos melhores ou piores?
e se fossemos tudo, menos palavras?
corpos loucos por satisfação
fez se o verbo, antes do corpo, fez se a luz
E se fosse vc apenas essência?
se fosse permitido tirar lhe tudo
roupas, rosto, nome, corpo, coisas
se dependesse sua existência apenas
do que sentem as pessoas por ti
o que seria? melhor ou pior?
e se fosses sol ou chuva
ainda me negaria sua presença nessa manha cinzenta?

O noticiário continua redundante
com seus discursos vazios
querem enganar a quem?
as pessoas continuam redundantes
apenas palavras
para quem?



sexta-feira, 19 de agosto de 2016

folhas secas


Há pouco estava, não mais
Há pouco existia, não mais
as linhas, nas mãos, no corpo, no rosto
contam uma historia, mas chega o ponto final
raízes não sustentam pra sempre
algumas arvores secas, são definitivamente
fria imagem do que foram
uma lembrança no horizonte
do quão efêmero pode ser o corpo
e quão permanente pode ser a existência
E poucos notaram o entardecer
mas o universo deu seus sinais
o vento que antes soprava
agora, com força, carrega as folhas secas
e pela primeira vez, em todo esse tempo
fui grato por vc não estar aqui
por não ter mais um acento na sua dor
por imaginar que num bom cenário
era vc quem viria, com e como o vento
levar as folhas secas....

sábado, 13 de agosto de 2016

daqueles poemas ocultos sobre tudo e nada ser

bastaria que lhe olhassem os olhos
marejados, ha tanto, insones
bastaria a magia do mundinho ideal
dos romances, dos filmes, dos poemas
mais um poema de eu sozinho
mais um poema de livro das mentiras
mais um entre tantos outros
mais um rosto na multidão
invisível, medíocre, patético

Mais uma noite de sábado
é tempo de luzes e musica alta
de sorrisos falsos, beijos falsos
diversão falsa, mas pra que se enganar
ao menos, ainda que falso, ha sorriso
beijo, diversão
mas não... sábado, insonia, poema

solidão é o amargo desejo
de não mais existir
sem ser percebido
se ha algum sentido na existência
é existir pra alguém alem de si
e se não ha sentido, pq existir?

pra escolher com quais olhos se iludir
pra construir novas historias
e perde las, as vezes pra si mesmo
é matar todos os personagens que cria
na ânsia de matar cada pedaço de si
onde ainda ha vida
onde ainda ha desejo de se iludir
que basta os olhos, que olham nos olhos
e força de vontade pra fingir estar bem
pra estar
não está.. talvez nunca tenha estado

Não há...

Não que haja sentido
não que haja motivos
não que haja chances
não que haja, seja o que for

a existência é por si e se encerra em si
ainda que se busque sentido
ainda que se invente motivos
ainda que se espere, seja o que for
não há....